quinta-feira, maio 14, 2015

Um Dia (de Trabalho) Depois do 13 de Maio


Dia 13 de Maio é perfeito para celebrar a liberdade, os negros, a cultura afro-brasileira.... Sem desviar um milímetro, é também mais um dia para pensar no trabalho.

A escravidão é o extremo da precarização do servir a quem detém o capital.

Dia 13, observando a diarista Ivone conversei com o tema. Ao lado de Ivone estava minha mãe que, na adolescência, após a morte da minha avó, foi "trabalhar" em casa de família rica do interior do Espírito Santo com salário de ficção. Dona Zilda me fez lembrar que o Dia 13 não é só de Isabel. Homenageia, acima dos nobres, Nossa Senhora de Fátima.

Ivone e Zilda não são negras por um capricho estatístico (a maioria dos pobres é) e provam como o trabalho ficou mais digno dos anos 40 para cá.

E o futuro no longo prazo?

A Deus pertence?

E no médio e curto prazo (?), talvez Nossa Senhora de Fátima nos ajude a desvendar esse segredo.

Vejamos: com a ampliação da terceirização, a teorização dos malefícios do pleno emprego e a "erreagarizacão/RHrização" das relações nas empresas, o tambor rufa e anuncia que o ofício de vender habilidades em troca de salário sofrerá desgastes se... o país continuar cortando sem oferecer riqueza à sociedade e distribuição de renda aos desfavorecidos.

Não adianta surrar os culpados porque corremos o risco do autoflagelo. Apontar forças que possam estar empurrando o mercado de trabalho para os fundos da sistema seria um primeiro movimento positivo.

1) a necessidade de produzir cada vez mais barato para vender por um preço competitivo e ampliar os ganhos daquele fundo, banco ou investidor (...) que depositou recursos  na empresa e agora cobra dividendos os mais altos (im)possíveis.
2) a arte de administrar ensinada nas escolas de negócios e economia que transformou a gestão de pessoas em gestão.
3) a ideia de distribuir renda sem proteger o Estado do apetite de setores e segmentos privados e públicos (políticos etc) e da própria ineficiência da máquina oficial. Um mecanismo viciado em baixo crescimento e em verba mal aplicada e permissivo com inflação e juros altos.

Três contas endereçadas à Casa Grande.

E as comunidades, bairros, senzalas, apartamentos (sala-quarta, sala-2-quartos, sala-3-quartos...) e avenidas da vida? Só observam?  Aqui, qualquer conselho sem um análise mais profunda pode parecer conteúdo de manual de partido verde alemão. Um flash seria observar qual é o seu (e o nosso) lugar nesse latifúndio produtivo e para onde seus desejos profissionais e de consumo nos levam.



Fora isso... Viva a liberdade!

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