quarta-feira, setembro 02, 2015

O Brasil e a Crise do Curupira Sem Identidade



Curupira passa por uma cirurgia, põe os pés para frente e, recuperado da operação, caminha em direção ao #crescimento, à distribuição de #renda, à redução da #pobreza... Até que… uma força estranha... um espírito vira-lata incorpora nos membros inferiores do ente e o faz caminhar de costas para o passado.


Perde em um só movimento a capacidade de iludir os destruidores de riquezas e a certeza de evoluir seguindo os passos ditados por deuses do #capitalismo.


#Brasil descupirou-se na esperança de tornar-se grande e esqueceu de avisar aos eleitores, principalmente no que tange o #Legislativo. Não despertou para dois reais: os adversários desnudaram o código do nosso jeitinho desajeitado; e Deus, o brasileiro, trocou de cidadania.


Nessa mutação forçada, a presidente reeleita parece ter pedido o veneno da articulação necessário para o convívio com os ofídios que habitam a base do governo. Para completar,  o mundo fantástico foi chamado aos fatos pelas trombetas da Lava-Jato.


O encanto teria chegado ao fim (?).


E agora (200 milhões) José? Dia 16/08, quase 900 mil foram às ruas pedir ao Curupira para reencontrar o mapa do tesouro da Ordem &  Progresso. Dia 20/08, outros 75 mil saudaram o #Curupira e rogaram por passos mais suaves.


Nas últimas semanas, empresários, banqueiros e entidades representativas da parte de cima da pirâmide vêm cantando o hino nacional da trégua. Todos confiantes na versão internacional de um Brasil do amanhã de pés consertados e vacinado dos males da antiprodutividade silvícola.


E o Curupira repaginado o que teria a dizer (?).  Como um terapeuta de frente para o divã, a entidade apenas observa a narrativa trágica encenada por nós.


Diante do silêncio, a figura retórica do personagem reestruturado pede para ser analisada.


Olhando de perto para as cicatrizes deixadas pela cirurgia é possível encontrar duas pistas para rejeição aos membros modificados.


1) Descobre-se que a transformação foi encomendada por turistas maravilhados com os pés prafrentex dos euros-dólares-americanos e por usuários da #internet ultrarradical.

2) Um diagnóstico mais profundo revela ainda traços de um Aquiles #Grego no calcanhar do herói nacional.


A intenção da cirurgia também esconde um incapacidade quase genética.


Na ilusão similar ao paciente de estômago reduzido com hábitos alimentares de glutão, acreditávamos (e ainda acreditamos?) que bastaria imprimir novas regras de gestão e uma vontade sem fim de crescer, de ser honesto, de distribuir e de ser espelho do moderno… (sem sê-los e sê-las…) que tudo estaria resolvido.


No cotidiano, continuávamos/continuamos avançando os sinais (de trânsito) antes e depois do (não) pagamento de #impostos.


E qual é o problema de desejar o impossível imediato(?). É perder a paciência com o próximo e consigo.  A facilidade da via mais curta - não raramente - esconde pedras e buracos que tornam a caminhada longa e trôpega para o novo  Curupira.


Não existe moral, conselhos e soluções. A longa estrada da negociação e do respeito às diferenças precisa ser construída com #licitação honesta e transparente. Talvez assim, em pisos menos assimétricos, o Curupira possa seguir, mesmo que de costas e a passos lentos, para o futuro.   

Um comentário:

Yago Paiva disse...

Texto fantástico. Parabéns, Luciano!